quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O melhor livro que eu já li


Após uma breve incursão no conto, o Diálogo Entrópico volta a sua programação normal. Ou nem tanto; o texto de hoje é como uma crítica literária disfarçada, mesclada com um pouco de interpretação, ou mesmo trechos autobiográfi cos. Sem mais delongas, vamos à coisa.
(Apenas aviso que o texto e inteiramente parcial. Se não concordar, se sentir ofendido(a) ou similiares, comente ao invés de sair a caça do pobre autor com um rifle. Pode continuar agora.)
Algo que perturbou vosso habitualmente já perturbado cronista nos últimos tempos foi a pergunta "Qual é seu livro favorito?". Tudo bem que a resposta a esse tipo de pergunta é inteiramente subjetiva, razão pela qual não a discutiremos muito a fundo aqui; basta ser dito que depende do estado emocional, de circunstâncias marcantes, etc. Mesmo assim, ela persiste. A final, qual é o livro que, de todas as formas, mais lhe marcou, mais lhe deixou com o sentimento de jamais esquecer?
Primeiro, vosso interlocutor pensou em outras expressões da arte e suas obras máximas, segundo seu entendimento. Na música, Bohemian Rhapsody, do Queen, reina absoluta, indiscutivelmente, amparada por uma votação de ser a melhor música pop de todos os tempos, e um trabalho de quarenta páginas dedicados a esta ópera roqueira (talvez um dia eu o poste...). Quanto à sétima arte, O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, está no topo, desbancando
o antigo favorito, Star Wars Episódio V: O Império Contra-Ataca (George Lucas). E já que as estamos numerando, a nona arte (quadrinhos, conhecidos pelos nossos primos portugueses como "banda desenhada") encontra, para mim, seu ápice em Watchmen, de Alan Moore.
Mas... e a literatura? Justo o rato de biblioteca que vos escreve não saberia dizer seu livro favorito? Parece paradoxal, mas não é: apesar de ter lido muitos livros e possuir alguma base para julgá-los, há complicadores, que são a quantidade deles e a comparação, de como escolher um em detrimento dos outros. Uma tarefa nada trivial.
A primeira coisa a pensar foi a influência. O quanto cada livro que li influiu no meu pensamento? A Fundação e a Terra, de Isaac Asimov, contribuiu com a noção de explicação matemática da história; 1984, de George Orwell, com uma visão crua da realidade. A Metamorfose, de Franz Kafka, apresentou-me à loucura do mundo moderno, e O Senhor dos Aneis, de J.R.R. Tolkien, a um mundo novo, estranho, excitante e fantástico.
Mas não era isso, ainda. Se fosse contar pelas influências, a lista seria imensa e dependente do momento exato. Retrogredi, então, aos primeiros dias de leitura, da minha "iniciação": O Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, numa versão de Ruth Rocha para o clássico de Thomas Malory. A história sobre este livro é curiosa e remonta aos meus 6 anos de idade, mas irei me abster de narrá-la agora. O importante é saber qual foi a porta de entrada para o mundo da leitura. Me guiaria ela, então, à definição do melhor livro? A cavalaria e o fantástico? Ainda não. Apesar de um grande fã desse tipo de obra, nenhum dos que já li pode ser colocado no posto mais alto da minha hierarquia bibliográfica.
Mas o retorno às origens foi proveitoso, por lembrar-me o que mais gosto nos livros: uma boa história. Apesar de livros com teses, filosofia, ciência e outros mais serem do meu interesse, o que mais gosto nos códices de papel (que beire a pieguice, dane-se) é todo o potencial existente na história que se inicia e desenvolve, na imaginação envolvida, na miríade de significados que pode ser construída, assim como grafos se conectando, assim como a aranha vai tecendo meticulosamente a sua teia.
Só faltava, visualizei, um pequeno estalo, conectar o último ponto. O que falta? O que ainda resta ser pensado para definir o melhor livro dentre todos que já li? A resposta eu já sabia, só faltava-me encontrá-la.
E ela veio, leitor, ah se veio! E amparada justamente pelo cinema. Por um acaso (ou não, isso é discussão para outro dia) vim a procurar o filme do livro O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino, que sempre tive vontade de ver. Ao encontrá-lo, lembrei-me de ter afirmado, no passado, ser o meu livro favorito.
E ainda é.
Neste momento, o entendimento veio em borbotões: claro! É o melhor livro que já li! Mas, além de sua história (perfeita, uma grandiosa epopeia), quais são seus atrativos?

Reconhecimento é a resposta, damas e cavalheiros.
Apesar de me empolgar com Dom Quixote, sofrer com Gregor Samsa e exultar com a queda de Sauron, nenhum desses personagens ou acontecimentos reflete de modo direto a minha realidade, fruto que sou das montanhas de Minas Gerais, criança que brincou na roça, comeu pão de queijo, que fala "trem" e "uai"; que irá, com toda a certeza, tornar-se um rapaz frequentador dos tradicionais bares, um ressabiado quase-boêmio, que escuta o Clube da Esquina no mp3 player. E é isso, em maior grau, que a obra de Fernando Sabino trás: uma odisseia dentro de Minas Gerais, seus personagens e hábitos, com tudo o que tem direito. História plena de significado, conteúdo, que vai do drama ao épico, da guerra à mesa, e com um dos personagens mais marcantes de todos os tempos, o irmão mineiro e antecessor de Forrest Gump: Geraldo Viramundo.
A nostalgia bateu forte ao ver o filme, e me lembrar de tudo o que passei ao ler o livro diversas vezes. Sim, digo em alto e bom som: o melhor livro que já li. E digo que, se algum outro o superar, é porque é fora de série, assim como esse.

domingo, 29 de novembro de 2009

Aproveite a Festa


Ele chega, e é saudado por todos à porta. Rostos felizes, abraços e beijos o rodeiam, enquanto ele entra no salão. Pessoas cultas, pessoas incultas, todos parecem se ocupar com ele, oferecendo bebidas e os petiscos, e as mais recentes notícias o orbitam. Ele entra naquele rendez-vous de felicidade, e não percebe, de imediato, que esmoreceu com a entrada de um novo convidado. Nem tanto, aliás; as atenções se dividiram apenas um pouco.
A noite começa a ficar alta e agitada. Depois do frenesi inicial, ele está com um pequeno grupo, desenvolvendo algumas conversas. Como toda a festa, aliás: grupos, os animados anfitriões passando entre eles e tentando integrá-los, e as primeiras discussões sérias, motivadas por problemas de fora da festa com o combustível alcoólico abundante.
Enquanto as coisas vão se aquecendo na celebração da felicidade que é esta festa, ele se afasta para um canto com uma garota. Lógico que ela é bonita, e tem uma conversa interessante, mas após alguns minutos de contato, eles se dispersam. Em toda a festa é a mesma coisa: em poucos minutos ela já se agarra a outro, e ele observa o vestido de algumas. Seu grupo? Entretido nas mesmas coisas.
A música vem, solta. Ele conversa com um rapaz ao seu lado, para elogiar a música da circunstância ou criticá-la acidamente, se não gosta. O rapaz concorda e, juntos, vão se divertindo, até tocar uma canção que os divide. “Essa é ótima!”, “Como assim? Que música indecente!”, “Como é?”. Nessa discussão, ao ritmo do som, powered by some drinks, os dois passam de palavras para atos: um punho joga um deles (qual? Parecem irmãos, já, devido à alta confusão) na mesa, espalhando os salgados e sujando a camisa clara do sujeito. Os anfitriões e amigos correm, separam os dois e arranjam uma camisa nova para o acidentado. Ele, após insistência, concorda em continuar na festa, mas os dois se entreolham de lados opostos do salão, com fúria, e atentamente vigiados por aqueles que não se importam com a música a tocar, apenas balançando suas cabeças ao ritmo, qualquer que seja.
Alguns convidados começam a ir embora. Alguns em pares, mas a maioria sozinha: as relações estabelecidas foram breves demais. Para aqueles cujo par foi embora, restam apenas as lágrimas, a busca de outro ou o telefone, para pedir um táxi.
Felizmente, a maioria dos que se foi levou junto os pouco resistentes a bebida e os volúveis (que foram apenas procurar outra festa para ir), e os que restam podem conversar melhor. Começa aí, para a maioria deles, a verdadeira festa. Um deles é biólogo, e fala sobre a vida; imediatamente, é interpelado por outro, que é economista. Paralelamente, um matemático argumenta com uma escritora sobre o sistema de transporte público. Os anfitriões participam das conversas tanto quanto possível, alguns dormindo, outros imersos, outros ainda mudando de assunto deliberadamente: nada disso na minha festa.
Ele, que havia entrado na festa meio que por acaso, convidado por nem se lembra quem, encontra algumas boas conversas, que já o fizeram esquecer da primeira garota e da terceira, a mais intensa da noite. Em meio a isso, ele olha seu moderno e caro relógio. Sob o indicador de data e profundidade (ele adora acessórios de exploração, mesmo só podendo sair durante as férias) ele percebe que passa de sua hora. Levanta-se, desajeitado, e se despede das pessoas. Nem todos os presentes ouvem, tão completamente estão em seus próprios assuntos.
Entretanto, um senhor, que é um dos anfitriões, escuta e vai com ele até a porta. Enquanto esperam o táxi, o senhor pergunta se ele gostou da festa. Apesar de eventuais problemas, “eu adorei!”, diz ele. O senhor, de um modo cansado, diz: “eu deveria ter-lhe dito para aproveitar a festa desde o início. Você poderia ter obtido mais coisas dela.” Ao ouvir isso, ele para, estarrecido, mas seu táxi chega e ele se vai, acenando para o senhor. Pela janela, a noite está bem escura, e chove. Pelo menos as lâmpadas de mercúrio brilham, oferecendo alguma luz.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Interferência Digital


Ontem recebi meu convite para o Google Wave. O post não é sobre isso; este aqui tem melhores informações.
Não, o post de reestreia do Diálogo Entrópico (um longo tempo, também acho) se refere à interferência da tecnologia em nossas vidas.
Chavão? Pode até ser mas, nessa teia mundial repleta de informações, faltam artigos sobre a influência direta e rápida da informática no cotidiano. De qualquer maneira, lá vai.
A tecnologia sempre esteve auxiliando o ser humano em suas tarefas. Desde o osso de 2001: Uma odisseia no espaço, até as máquinas a vapor, as máquinas de escrever... e o PSP. Como extensões de nossas naturais capacidades, várias máquinas são desenvolvidas para a expansão e aprimoramento humanos: agora podemos voar, nadar em águas profundas, trocar órgãos e nos comunicar a longas distâncias.
Recentemente, porém (desde a invenção e popularização dos circuitos integrados e do transistor, para ser mais específico) a eletrônica produziu avanços tecnológicos de modo incrivelmente rápido, e melhor, acessível ao grande público. Se antes nem todos podiam viajar num moderno trem a vapor, hoje um processador de 2 GHz é acessível a trabalhadores que ganham salário mínimo, na onda do crédito fácil (quanto a ética disso, são outros quinhentos).
Assim, as informações viajam com tal facilidade que passam a ser necessárias: vosso humilde cronista se sente mal ao não olhar a(s) conta(s) de e-mail por dois dias consecutivos. Hits da música estão imediatamente disponíveis para download. Jogos em rede integram europeus, americanos e asiáticos em campos de batalha virtuais, na velocidade da luz.
Nem só para o lúdico: cloud computing é solução para diversos modelos de negócio. E-mail conecta executivos através do mundo, e videoconferências online permitem reuniões de filiais a qualquer momento; o celular permite chamar empregados que estejam dentro de um carro, longe da empresa.
A própria cultura se alterou: o que significa reunir-se fisicamente quando há o e-mail e comunicadores instantâneos, com todas as suas ferramentas? Novas formas de conteúdo surgiram: blogs, podcasts, RSS, o próprio Twitter... E a indústria de games tornou-se "arte": o que, diferente de obra de arte, são jogos como Medal of Honor: Pacific Assault e World of Goo?
Claro que tudo isso trás perigo. "Por que se deslocar a uma biblioteca, se há a Wikipedia e os comandos copiar/colar?", pensa o estudante descompromissado; "Vou invadir o Orkut daquela menina", pensa o cracker que tem preguiça de programar mas se acha um heroi por usar scripts para invasão. E vários outros exemplos.
Conclusão? A tecnologia trouxe, sim, vários benefícios - melhorou o mundo, na honesta opinião deste blog. Mas foi rápido demais, pelo menos para a cultura popular, lenta em absorção consciente de conteúdo. Puxão de orelha na educação: são necessárias mudanças para este mundo que oblitera as maiores inovações em dois anos.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Sobre redes e uma conferência


Hoje, acabou a feira Inova Provoc no Coltec. Finalmente, apresentei meu trabalho sobre Auditoria (talvez um dia eu o comente aqui). Mas o que venho tratar tem mais a ver com uma extrapolação de temas que ocorreu por lá.
No primeiro dia (ontem, 22/10) a feira estava bem vazia, tanto que apresentávamos uns para os outros, essencialmente. Cheguei a ficar isolado por uma hora no meu estande, que ficava bem no fundo da área. Mas hoje tudo foi diferente: além do número de visitantes ter aumentado barbaramente, vários amigos meus foram assistir, o que promoveu a reunião constante de pelo menos duas pessoas no meu estande, com as mais diferentes conversas: Império Romano, grandes homens da humanidade, vantagens do iPod Touch, inutilidade da telefonia na atualidade, neurologia e matemática...
Refletindo um pouco sobre o que ocorreu, percebi algo: como sempre haviam pessoas discutindo no estande, quem passava pelos corredores tinha sua atenção atraída, pelo menos momentaneamente. Nesse momento, eu "fisgava" as pessoas para a apresentação. Surpreendentemente, a maioria pareceu gostar. Bom!
Mais tarde, um daqueles raros insights veio: me lembrei do PageRank.
Como? O leitor não sabe do que se trata? Mas se o utiliza diariamente!
O PageRank é o algoritmo que Nosso Senhor Google utiliza para classificar as páginas em suas buscas na internet. Ele compara a relevância das páginas baseado na quantidade de links para esta página. Então, no meu caso, as pessoas no meu estande funcionaram como esses links, e até mesmo um amigo da organização, que trouxe vários grupos para a apresentação. E, também, quando uma garota que conheci no evento veio assistir à minha apresentação, levei o rapaz com quem conversava para assistir à apresentação dela. Veem? Feedback! Compartilhamento de links! Porque é assim que a internet (e, de modo geral, o modelo que temos de redes) funciona: quanto mais links, mais simples achar informação.
É claro que esta teoria tem pontos falhos: nem sempre os melhores trabalhos possuem mais links, o que gera bastante conteúdo inútil. Mas, se pensarmos mais a fundo, qual é o melhor trabalho? Não seria o mais interessante? Se ele possui vários links, isto mostra sua relevância.
E, de qualquer maneira, o conteúdo chama a atenção: um dos melhores trabalhos, com um robô que media uma sala via sonar e se movimentava por ela, se destacava pela natureza interativa da mostra. Por isso, este estande estava sempre cheio.
O que concluir daí? Pouca coisa, talvez muita, mas basicamente que as redes não são um conceito abstrato, e possuem comparadores acessíveis no mundo físico cotidiano.

G.H.

(P.S: como diria meu amigo J. Vinaud, "seremos grandes técnicos em analogias")

domingo, 10 de maio de 2009

Desculpas

Bem, uma rápida nota: estou tão atarefado, leitores, que praticamente abandonei o DE. Acalmem-se, entretanto, pois ainda continuarei. Só dependo de  uma coisa: tempo. Sempre ele.
Abraço,
G.H.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

O Efeito Borboleta e as Manchas de Rorschach

Olá, caro leitor. Você, neste momento, pode estar se perguntando sobre o motivo desta pausa de uma semana no Diálogo Entrópico. Bem, a causa é simples: como citei no último artigo, voltei a estudar, e os eventos escolares puseram-me fora de combate agora, como o farão mais tarde, sem dúvida. Agora mesmo deixo de estudar Sistemas Lógicos, a fabulosa Linguagem C e tipos de conectores em informática para tratar de mais um assunto interessante. Sem mais delongas, prossigamos.
Provavelmente você já viu, em algum filme, livro ou quadrinho o teste das manchas de Rorschach. Sim, é aquele famigerado teste aonde o psiquiatra mostra ao paciente um cartão com uma mancha simétrica, e questiona-o sobre o conteúdo da imagem (este tema, inclusive, me vem a mente em função da estréia próxima do filme Watchmen, baseado na graphic novel homônima, do inglês Alan Moore, aonde um personagem tem como símbolo manchas desse teste. É uma ótima sugestão de leitura e de cinema; irei comentar mais na semana que vem). Ele foi criado pelo psiquiatra suíço Hermann Rorschach, e sua função, é obter um quadro amplo da dinâmica psicológica do indivíduo. O motivo é facilmente compreensível: as manchas são aleatórias, então o que o paciente interpretar será, na verdade, uma projeção da sua mente. Inclusive, o teste é classificado como "pareidolálico", palavra que vem de pareidolia, como nos casos de observação de nuvens: você vê o que quer.
A psicologia, meus caros, está muito além da lógica, nós já ouvimos afirmar. É como foi dito à exaustão sobre as máquinas: elas não podem amar, sentir, etc. O porque? As máquinas (como o aspirante a profissional de informática aqui vem aprendendo) trabalham com lógica Booleana: 1 ou 0, sim ou não, certo ou errado. Já a psique humana trabalha com "melhor ou pior", "talvez seja", e "limão ou maracujá?". Deste modo, podemos dizer que lógica pura não se aplica a nós, então algo como o teste de Rorschach lida com variáveis não-quantificáveis e envolve um bocado de especulação.
Mas espere: nos sabemos que os neurônios, os fantásticos computadores cerebrais, operam eletroquimicamente. A química e a física operam segundo leis definidas, então decifrar o pensamento se resumiria a quantificar o funcionamento dos neurônios. Mas porque isso ainda não foi feito?
Uma pista, pelo menos para mim, vem do chamado "Efeito Borboleta".
Teorizado pelo meteorologista e matemático Edward Lorenz, este efeito é uma das bases da Teoria do Caos. Em resumo, ele diz que, em um sistema grande e complexo (por exemplo, a atmosfera terrestre) um pequeno fator desencadeia coisas imprevisíveis, de tal modo que dizemos ser ao acaso. O modo pelo qual Lorenz chegou a ele é interessante. Num programa simples de computador, ele simulou condições climáticas. Ao refazer a simulação, ele, por engano, alterou levemente um dado qualquer, e o resultado final da simulação foi inteiramente diverso da primeira. Então, ele chegou à famosa pergunta: "Pode o bater das asas de uma borboleta criar um furacão em outro lugar do mundo?". E disto foi criada a Teoria do Caos, que tenta explicar fenômenos aparentemente caóticos e imprevisíveis, aliás impossíveis de solucionar de forma prática (ruído, pensamento, sistemas turbulentos...). Isto não cheira aos fenômenos quânticos?
Então, isto me leva a especular: o pensamento não é aleatório; ele apenas envolve variáveis suficientes para impedir a sua compreensão pelo mais potente computador atual. Então, as Manchas de Rorschach, se realmente funcionam (coisa que realmente não sei) tem alguma validade neuro-matemática (palavra que, creio eu, não exista).
Podemos extrair alguma conclusão útil? Creio que sim. Nós somos seres lógicos, mas de uma complexidade, quem sabe, quântica. O universo pode funcionar de forma lógica, porém infinitamente complicada.
E, para finalizar, me vem à mente uma frase do norueguês Jostein Gaarder: "Se nosso cérebro fosse tão simples a ponto de podermos entender o seu funcionamento, seríamos tão idiotas que não conseguiríamos compreendê-lo".



sábado, 14 de fevereiro de 2009

De volta

Eis que aparece novamente. Sim, ele mesmo: o tempo de escola. Voltamos para o mundo das intrigas de classe, dos novos colegas, das temíveis provas e, acima de tudo, dos amigos de sala.
Muito mais do que apenas estudar (sim, eu também sofri ao escrever este "apenas") nós vamos retomar a rotina, o que é uma coisa ótima, no final das contas. Após dois meses de excessos, de poucos (ou nenhum) objetivos, teremos algo pelo que valha a pena se esforçar. No caso de vosso humilde cronista, é também um tempo novo. Chega de apenas teoria e papel (o que não era tão ruim, também; eu gosto bastante de teoria). Agora, entro na fase do Ensino Técnico em Informática (adoro nomes pomposos), e enfim utilizarei o computador como algo mais do que uma máquina de escrever sofisticada, um videogame com teclado ou um telefone escrito. Será a hora de chegar a um novo nível nas reclamações contra a máquina, de pensar em como será quando alguém irá xingar os meus programas...
É a vida, "imoral" como diria Douglas Adams, pregando mais uma das suas.
Aconselho que vocês também tenham uma. 

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Cultura inútil - será?

Após um tempo relativamente longo, o diálogo mais entrópico deste lado do Atlântico retorna. O leitor, que a essa altura já sabe mais ou menos o que esperar (ou seja, algo surpreendente), acertou. O tema deste sábado é a chamada cultura inútil.
Primeiro, definamos cultura inútil. É aquele tipo de coisa a qual as pessoas dizem ser informação, mas não de uso útil. Por exemplo, o recorde de canudinhos enfiados na boca, a origem do nome de determinado prato ou dados pouco relevantes.
De fato, muitas dessas informações não oferecem atrativos àquele que busca a cotação da bolsa nesse exato instante, ou então aos que querem saber dos resultados da última rodada do Brasileirão. Então, porque saber dessa cultura irrelevante?
Por vários motivos, ó incauto interlocutor. O primeiro deles é que essas pessoas não são, de forma alguma, a população total desse pequeno planetinha. Talvez a origem do nome de um prato obscuro da Europa Oriental forneça algum dado importante ou, até mesmo, vital. Outro motivo, ainda, seria a relevância relativa da informação. Para o meu pai (sim, citarei meu genitor ad nauseam nesse blog), as informações que eu detenho sobre a história da Terra-média (o Senhor dos Anéis; espero que o leitor saiba que eu trato dos livros, apesar da magnífica epopéia de Peter Jackson) são totalmente irrelevantes; para mim, são fonte de distração, inspiração e já me fez conseguir mais de uma amizade.
E outros motivos poderiam ser citados, mais do que Kim Peek poderia registrar em sua extensa memória. No fim, a "cultura inútil" não é mais do que pontos de vista em conflito: para uns, útil. Para outros, inútil. Afinal, somos humanos, não? Nossas diferenças nos definem.
E chega de lugares-comuns por hoje. Vá comer algo bem doce, ou ver um filme. 

sábado, 24 de janeiro de 2009

Primeiro, um aviso

Criei um Blog.
Redundante, né? Se você está lendo, significa que... ah, tá. Deixemos isso para o Sheldon (The Big Bang Theory; (ótimo seriado americano).
Começando de novo: depois de muito tempo desperdiçando textos em folhas velhas de caderno, gastando um dinheiro imenso e produzindo um incessante cessar de árvores (além de empregos na indústria de papel, o que era o caso do meu pai a algum tempo atrás), após tudo isso eu resolvi colocar meus textos num lugar aonde, por imensa exposição, eu serei inteiramente ignorado: a internet.
Poderia criar (ou copiar, não interessa, Tarantino que o diga) um texto imenso sobre a internet, como ela abriu espaço para a escrita, a socialização, a banalidade. Mas isso também é redundante, e aos teóricos da internet fica esta tarefa.
Teóricos. Engraçado, eu adoro os teóricos. Os da internet, por exemplo, devem ser aclamados. No meio deste fenômeno imenso, eles tentam ver o que está acontecendo. Quem está no meio da tempestade tem mais dificuldade de ver o céu acima das nuvens (tudo bem, sem mais poesia de segundo calão).
Outros teóricos que eu admiro são os físicos. Eu, criança ainda, nos meus 13 anos de idade, comprei um livro sobre Albert Einstein. Pronto. Passei a admirar a Física como nada mais. Divertida, séria, útil. Quem diria que os físicos, em suas cadeiras e contas, iriam inventar o mundo moderno? Desculpe-me Freud, você vê o que os homens sentem, eles criam mais algumas coisas pra você se preocupar. É a vida.
Física. Daí surge o título do blog, numa manhã de sábado. Diálogo: conversar é bom. Entropia: não garanto a certeza, não farei citações (por ora), mas é a medida de desorganização de um sistema. Não que eu seja desordeiro, mas os diálogos aqui serão bastante entrópicos, com temas variados e conclusões que os farão pensar que o autor está um tanto quanto ébrio.
Uma última palavra sobre entropia: esta palavra veio ao meu disco rígido de massa cinzenta de forma diferente quando um amigo me disse, após um encontro de astronomia: a entropia do universo está aumentando, mas o ser humano vai contra isso.
Estamos nadando contra a corrente. De algum modo, isso me felicita.