sábado, 28 de fevereiro de 2009

O Efeito Borboleta e as Manchas de Rorschach

Olá, caro leitor. Você, neste momento, pode estar se perguntando sobre o motivo desta pausa de uma semana no Diálogo Entrópico. Bem, a causa é simples: como citei no último artigo, voltei a estudar, e os eventos escolares puseram-me fora de combate agora, como o farão mais tarde, sem dúvida. Agora mesmo deixo de estudar Sistemas Lógicos, a fabulosa Linguagem C e tipos de conectores em informática para tratar de mais um assunto interessante. Sem mais delongas, prossigamos.
Provavelmente você já viu, em algum filme, livro ou quadrinho o teste das manchas de Rorschach. Sim, é aquele famigerado teste aonde o psiquiatra mostra ao paciente um cartão com uma mancha simétrica, e questiona-o sobre o conteúdo da imagem (este tema, inclusive, me vem a mente em função da estréia próxima do filme Watchmen, baseado na graphic novel homônima, do inglês Alan Moore, aonde um personagem tem como símbolo manchas desse teste. É uma ótima sugestão de leitura e de cinema; irei comentar mais na semana que vem). Ele foi criado pelo psiquiatra suíço Hermann Rorschach, e sua função, é obter um quadro amplo da dinâmica psicológica do indivíduo. O motivo é facilmente compreensível: as manchas são aleatórias, então o que o paciente interpretar será, na verdade, uma projeção da sua mente. Inclusive, o teste é classificado como "pareidolálico", palavra que vem de pareidolia, como nos casos de observação de nuvens: você vê o que quer.
A psicologia, meus caros, está muito além da lógica, nós já ouvimos afirmar. É como foi dito à exaustão sobre as máquinas: elas não podem amar, sentir, etc. O porque? As máquinas (como o aspirante a profissional de informática aqui vem aprendendo) trabalham com lógica Booleana: 1 ou 0, sim ou não, certo ou errado. Já a psique humana trabalha com "melhor ou pior", "talvez seja", e "limão ou maracujá?". Deste modo, podemos dizer que lógica pura não se aplica a nós, então algo como o teste de Rorschach lida com variáveis não-quantificáveis e envolve um bocado de especulação.
Mas espere: nos sabemos que os neurônios, os fantásticos computadores cerebrais, operam eletroquimicamente. A química e a física operam segundo leis definidas, então decifrar o pensamento se resumiria a quantificar o funcionamento dos neurônios. Mas porque isso ainda não foi feito?
Uma pista, pelo menos para mim, vem do chamado "Efeito Borboleta".
Teorizado pelo meteorologista e matemático Edward Lorenz, este efeito é uma das bases da Teoria do Caos. Em resumo, ele diz que, em um sistema grande e complexo (por exemplo, a atmosfera terrestre) um pequeno fator desencadeia coisas imprevisíveis, de tal modo que dizemos ser ao acaso. O modo pelo qual Lorenz chegou a ele é interessante. Num programa simples de computador, ele simulou condições climáticas. Ao refazer a simulação, ele, por engano, alterou levemente um dado qualquer, e o resultado final da simulação foi inteiramente diverso da primeira. Então, ele chegou à famosa pergunta: "Pode o bater das asas de uma borboleta criar um furacão em outro lugar do mundo?". E disto foi criada a Teoria do Caos, que tenta explicar fenômenos aparentemente caóticos e imprevisíveis, aliás impossíveis de solucionar de forma prática (ruído, pensamento, sistemas turbulentos...). Isto não cheira aos fenômenos quânticos?
Então, isto me leva a especular: o pensamento não é aleatório; ele apenas envolve variáveis suficientes para impedir a sua compreensão pelo mais potente computador atual. Então, as Manchas de Rorschach, se realmente funcionam (coisa que realmente não sei) tem alguma validade neuro-matemática (palavra que, creio eu, não exista).
Podemos extrair alguma conclusão útil? Creio que sim. Nós somos seres lógicos, mas de uma complexidade, quem sabe, quântica. O universo pode funcionar de forma lógica, porém infinitamente complicada.
E, para finalizar, me vem à mente uma frase do norueguês Jostein Gaarder: "Se nosso cérebro fosse tão simples a ponto de podermos entender o seu funcionamento, seríamos tão idiotas que não conseguiríamos compreendê-lo".



Um comentário:

  1. Brilhante texto meu rapaz!
    apesar de ser bastante teórico ficou muito claro e fluente (tem a arte de falar coisas difíceis de modo fácil!rs)

    talvez caiba um cometário referente a excelente frase de Gaarder (uma sardinha pra biologia)... se fossemos tão inteligentes assim, talvez tivessemos continuado na água!

    Abraço!
    Sr. Pepper

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