sábado, 16 de janeiro de 2010

Mais perto do que o esperado

Após uma incursão na filosofia, o DE volta a se concentrar na tecnologia invadindo o cotidiano. Apesar de ser um tema discutido desde que a roda foi inventada, provavelmente, não deixa de ser algo importante a se falar, afinal se trata da raça humana, como um todo. E, a saber, os maiores temas são os que se aplicam a todos nós, na opinião do autor.
As bases já são conhecidas: o mundo se estabelece com uma tecnologia, cultura, meios de produção e tudo o mais. Continua assim por um tempo determinado (que, recentemente, parece ter diminuído e continua a diminuir), até que há uma confluência que gera um enorme salto - revolução, é como chamamos. E elas podem ser de diversos tipos (religiosas, científicas, políticas...), mas não há dúvida que todas se relacionam à tecnologia.
Antes que o leitor se enfureça, é bom destacar qual o sentido de "tecnologia" que o autor quer salientar. A palavra deriva de técnica, que é a habilidade em uma arte ou conhecimento. Pode-se então dizer que um pintor, um mecânico e um médico são técnicos, cada um em sua própria área. E por que não um professor, um soldado, um padre...? Assim, podemos ter uma imagem de que toda revolução é uma revolução técnica, por mais genérico que seja ou pareça o uso do termo.
Disposições definidas, podemos voltar ao cerne da questão. Muitas obras famosas fazem referência a diversas revoluções: quadros, livros, filmes... uma lista seria não só colossal quanto inútil no momento. Para não deixar de ilustrar, cito A Leste do Éden, de John Steinbeck, que mostra a chegada do automóvel, além da 1ª Guerra Mundial e diversas inovações de maquinaria e costumes na América da virada do século XIX para o XX. O que importa, na verdade, é salientar que o conceito da mudança sempre esteve em debate, em todas as épocas.
Mas o motivo estrito do tema, neste momento, vem de uma conversa presenciada pelo autor entre alguns caminhoneiros. Discutiam eles sobre os modernos caminhões, e o intenso uso de GPS, tacógrafo, sistemas analisadores de gasto de combustível e reparo, além de outras quinquilharias. As opiniões dividiam-se entre as vantagens, como o risco ao caminhoneiro bastante reduzido devido aos equipamentos de vigilância e segurança, e as desvantagens causadas pelo controle acirrado. Falavam, sem saber, da obra máxima de George Orwell, 1984.
O caso específico pode até parecer banal, mas prova algo que está tão na ponta dos nossos narizes que por vezes esquecemos de notar: o avanço tecnológico está presente. E, às vezes, mas perto do que gostaríamos.
Sobre o bom uso (ou uso consciente, como queiram) dessa tecnologia, é bom lembrar que a velha ética pode ser uma base, mas não integralmente usada em conjunto com os novos meios. Para aqueles que estranharem esta posição ("a ética é universal, oras!") é bom que se recordem da moral aristotélica, base do atual mundo ocidental, em sua integridade: temas como escravidão e machismo são lá descritos e defendidos com argumentos sólidos. Volta, então, o que já foi dito várias vezes: cada época, sua filosofia - sua técnica.

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