sábado, 9 de janeiro de 2010

A Aventura do Filósofo

Alguns chamam de vaidade. Outros, de orgulho. Há os que ainda chamam de modéstia – maculada pelo adjetivo “exacerbada”. Não que importe, ou faça diferença.
Minto. Faz. Toda a diferença do mundo pode estar nos epítetos que cunham a filosofia. “Amor à sabedoria”, muitos sabem, mas poucos parecem se lembrar ou compreender.
Qual é, afinal, o objetivo da filosofia? Alguns se retirariam para uma longa meditação para responder a essa pergunta; outros se reuniriam numa confabulação de estudiosos, e mais outros se sairiam com alguma frase de simples sabedoria ou ácida ironia. Não que não se possa examinar alguns aspectos da (matéria? ciência? disciplina?). Que sejam vistos.
A começar, pode-se tentar defini-la pelo objetivo: sabedoria, já que Sócrates, o mais eminente da turma filosófica, disse que o primeiro passo para a sabedoria era reconhecer que nada se sabia. Seus conterrâneos compunham o povo que escreveu “Conhece-te a ti mesmo” em Delfos e foi posteriormente dominado, humilhado e glorificado pelo Império Romano.
Muito depois dessa época, onde a filosofia era a ciência por excelência, quando ela tratava de átomos, matemática, política e a elegante mistura da vida, do universo e tudo o mais, ela passou a se dedicar mais a certos campos, conforme a data. Na Idade Média, a religião era um dos principais focos, refletindo em seu espelho a escuridão reinante em volta. O Renascimento deu (devolveu?) ao homem o seu devido lugar. O Barroco tornou a colocar Deus no alto, e os homens a tentar responder a Seus desígnios.
O mundo avança. O pensamento filosófico abarca novos continentes, máquinas avançadas, ciência de ponta. Logo passa por jovens rebeldes e suas poesias, por homens rebeldes e suas guerras. E em menos tempo ainda a contagem de corpos cresce.
O homem passa a se preocupar com o (super-)homem. A moralidade, ou pelo menos o seu estado, reaparece ao lado do sombrio e fantasmagórico inconsciente. Muita gente, muito dinheiro, mídia: todos se incluem no campo. E a ciência avança.
Avança tanto que, em pouco tempo, a filosofia precisa acompanhá-la de perto: a física dos quanta nos devolve o livre-arbítrio retirado (há controvérsias) por Laplace? A contínua absorção exponencial de informação quantificada, qualificada e organizada altera nossa convivência e, se sim, como? O poder acumulado e o conhecimento podem evitar a nossa destruição como espécie,ou apenas acelerá-la?
Ser filósofo nunca foi fácil. Parece que não é agora que isso vai mudar.


Este texto é uma pequena homenagem a todas estas pessoas que mudaram o modo de se ver o mundo, e um convite a quem mais desejar seguir seus passos.

Um comentário:

  1. "Arrebentou, excelente texto"... com toda a certeza, é isso o que o Marcelo diria. Eu, particularmente, acho que vai maia além. Provavelmente pelo tema. Ah! Não há nada mais sublime do que a nossa filosofia. Sim, nossa. Penso que de uma forma ou de outra acabamos dando uma sutil contribuição para essa "loucura" que é a filosofia. Adorei!

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