Ele chega, e é saudado por todos à porta. Rostos felizes, abraços e beijos o rodeiam, enquanto ele entra no salão. Pessoas cultas, pessoas incultas, todos parecem se ocupar com ele, oferecendo bebidas e os petiscos, e as mais recentes notícias o orbitam. Ele entra naquele rendez-vous de felicidade, e não percebe, de imediato, que esmoreceu com a entrada de um novo convidado. Nem tanto, aliás; as atenções se dividiram apenas um pouco.
A noite começa a ficar alta e agitada. Depois do frenesi inicial, ele está com um pequeno grupo, desenvolvendo algumas conversas. Como toda a festa, aliás: grupos, os animados anfitriões passando entre eles e tentando integrá-los, e as primeiras discussões sérias, motivadas por problemas de fora da festa com o combustível alcoólico abundante.
Enquanto as coisas vão se aquecendo na celebração da felicidade que é esta festa, ele se afasta para um canto com uma garota. Lógico que ela é bonita, e tem uma conversa interessante, mas após alguns minutos de contato, eles se dispersam. Em toda a festa é a mesma coisa: em poucos minutos ela já se agarra a outro, e ele observa o vestido de algumas. Seu grupo? Entretido nas mesmas coisas.
A música vem, solta. Ele conversa com um rapaz ao seu lado, para elogiar a música da circunstância ou criticá-la acidamente, se não gosta. O rapaz concorda e, juntos, vão se divertindo, até tocar uma canção que os divide. “Essa é ótima!”, “Como assim? Que música indecente!”, “Como é?”. Nessa discussão, ao ritmo do som, powered by some drinks, os dois passam de palavras para atos: um punho joga um deles (qual? Parecem irmãos, já, devido à alta confusão) na mesa, espalhando os salgados e sujando a camisa clara do sujeito. Os anfitriões e amigos correm, separam os dois e arranjam uma camisa nova para o acidentado. Ele, após insistência, concorda em continuar na festa, mas os dois se entreolham de lados opostos do salão, com fúria, e atentamente vigiados por aqueles que não se importam com a música a tocar, apenas balançando suas cabeças ao ritmo, qualquer que seja.
Alguns convidados começam a ir embora. Alguns em pares, mas a maioria sozinha: as relações estabelecidas foram breves demais. Para aqueles cujo par foi embora, restam apenas as lágrimas, a busca de outro ou o telefone, para pedir um táxi.
Felizmente, a maioria dos que se foi levou junto os pouco resistentes a bebida e os volúveis (que foram apenas procurar outra festa para ir), e os que restam podem conversar melhor. Começa aí, para a maioria deles, a verdadeira festa. Um deles é biólogo, e fala sobre a vida; imediatamente, é interpelado por outro, que é economista. Paralelamente, um matemático argumenta com uma escritora sobre o sistema de transporte público. Os anfitriões participam das conversas tanto quanto possível, alguns dormindo, outros imersos, outros ainda mudando de assunto deliberadamente: nada disso na minha festa.
Ele, que havia entrado na festa meio que por acaso, convidado por nem se lembra quem, encontra algumas boas conversas, que já o fizeram esquecer da primeira garota e da terceira, a mais intensa da noite. Em meio a isso, ele olha seu moderno e caro relógio. Sob o indicador de data e profundidade (ele adora acessórios de exploração, mesmo só podendo sair durante as férias) ele percebe que passa de sua hora. Levanta-se, desajeitado, e se despede das pessoas. Nem todos os presentes ouvem, tão completamente estão em seus próprios assuntos.
Enquanto as coisas vão se aquecendo na celebração da felicidade que é esta festa, ele se afasta para um canto com uma garota. Lógico que ela é bonita, e tem uma conversa interessante, mas após alguns minutos de contato, eles se dispersam. Em toda a festa é a mesma coisa: em poucos minutos ela já se agarra a outro, e ele observa o vestido de algumas. Seu grupo? Entretido nas mesmas coisas.
A música vem, solta. Ele conversa com um rapaz ao seu lado, para elogiar a música da circunstância ou criticá-la acidamente, se não gosta. O rapaz concorda e, juntos, vão se divertindo, até tocar uma canção que os divide. “Essa é ótima!”, “Como assim? Que música indecente!”, “Como é?”. Nessa discussão, ao ritmo do som, powered by some drinks, os dois passam de palavras para atos: um punho joga um deles (qual? Parecem irmãos, já, devido à alta confusão) na mesa, espalhando os salgados e sujando a camisa clara do sujeito. Os anfitriões e amigos correm, separam os dois e arranjam uma camisa nova para o acidentado. Ele, após insistência, concorda em continuar na festa, mas os dois se entreolham de lados opostos do salão, com fúria, e atentamente vigiados por aqueles que não se importam com a música a tocar, apenas balançando suas cabeças ao ritmo, qualquer que seja.
Alguns convidados começam a ir embora. Alguns em pares, mas a maioria sozinha: as relações estabelecidas foram breves demais. Para aqueles cujo par foi embora, restam apenas as lágrimas, a busca de outro ou o telefone, para pedir um táxi.
Felizmente, a maioria dos que se foi levou junto os pouco resistentes a bebida e os volúveis (que foram apenas procurar outra festa para ir), e os que restam podem conversar melhor. Começa aí, para a maioria deles, a verdadeira festa. Um deles é biólogo, e fala sobre a vida; imediatamente, é interpelado por outro, que é economista. Paralelamente, um matemático argumenta com uma escritora sobre o sistema de transporte público. Os anfitriões participam das conversas tanto quanto possível, alguns dormindo, outros imersos, outros ainda mudando de assunto deliberadamente: nada disso na minha festa.
Ele, que havia entrado na festa meio que por acaso, convidado por nem se lembra quem, encontra algumas boas conversas, que já o fizeram esquecer da primeira garota e da terceira, a mais intensa da noite. Em meio a isso, ele olha seu moderno e caro relógio. Sob o indicador de data e profundidade (ele adora acessórios de exploração, mesmo só podendo sair durante as férias) ele percebe que passa de sua hora. Levanta-se, desajeitado, e se despede das pessoas. Nem todos os presentes ouvem, tão completamente estão em seus próprios assuntos.
Entretanto, um senhor, que é um dos anfitriões, escuta e vai com ele até a porta. Enquanto esperam o táxi, o senhor pergunta se ele gostou da festa. Apesar de eventuais problemas, “eu adorei!”, diz ele. O senhor, de um modo cansado, diz: “eu deveria ter-lhe dito para aproveitar a festa desde o início. Você poderia ter obtido mais coisas dela.” Ao ouvir isso, ele para, estarrecido, mas seu táxi chega e ele se vai, acenando para o senhor. Pela janela, a noite está bem escura, e chove. Pelo menos as lâmpadas de mercúrio brilham, oferecendo alguma luz.


Se entendi bem, e não sei se o fiz de maneira adequada ao texto (muito menos se minha interpretação de fato existe), adorei. Simplesmente adorei pq é tão bem escrito, mas, acima de tudo, completamente cativante (talvez por sua clareza) e muito, muito simpático.
ResponderExcluirNuh! Muito bom, Coca! Dá um gostinho de quero-mais, fiquei curioso pra saber por que ele poderia ter obtido mais coisas da festa...! Fantástico, cara!
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